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Adolescência: Um olhar psicanalítico

  • Foto do escritor: Melina Garcia Gorjon
    Melina Garcia Gorjon
  • 28 de jul.
  • 2 min de leitura

menina sentada na janela de costas
A escuta psicanalítica oferece ao adolescente um espaço para se reconhecer como sujeito, entre perdas, descobertas e desejos.

A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e subjetivas. Mas, para além das mudanças visíveis, esse período carrega desafios profundos relacionados à identidade, à separação dos pais e à construção de um desejo próprio. É nesse contexto que a psicanálise oferece uma escuta singular, que considera não apenas o comportamento do jovem, mas suas angústias, seus impasses e a complexidade do desejo que o atravessa.

Ao contrário do senso comum, o adolescente não busca apenas autonomia. Ele precisa, paradoxalmente, da presença dos pais para conseguir se separar deles. Essa separação não é um afastamento definitivo, mas uma reconfiguração do lugar que os pais ocupam em sua vida. Quando os pais se ausentam ou desistem de exercer sua função, o adolescente pode se sentir deixado, o que frequentemente intensifica os sintomas ou comportamentos considerados "problemáticos".

A psicanálise entende que esse processo é inevitavelmente atravessado pela perda. É preciso que o adolescente elabore a perda do ideal de seus pais, que eram até então figuras onipotentes e infalíveis. Perceber que pai e mãe são falhos é doloroso, mas também libertador. É o que permite ao sujeito construir suas próprias referências e ocupar um lugar singular no mundo.

A puberdade não é apenas um evento biológico, mas o momento em que o sujeito é convocado a tomar posição na partilha dos sexos. Esse encontro com o real do sexo provoca angústia porque revela aquilo que escapa à simbolização, aquilo que não pode ser completamente dito. É também nesse ponto que se abre a possibilidade de o sujeito se responsabilizar por seus próprios desejos e escolhas.

Na clínica psicanalítica, escutar um adolescente é acolher suas palavras sem julgamentos, é reconhecer que ele não é apenas a queixa trazida pelos pais ou pela escola, mas um sujeito em constituição, que tenta lidar com as perdas, os medos e as exigências de um mundo que nem sempre está preparado para escutá-lo. A psicanálise não oferece respostas prontas, mas sustenta perguntas que ajudam o adolescente a construir seu próprio caminho.

Em tempos de discursos padronizados sobre juventude, comportamento e saúde mental, é essencial recuperar um olhar que reconhece a singularidade de cada sujeito. A adolescência é um momento de travessia, e, como tal, exige escuta, presença e, sobretudo, uma aposta na potência criativa e desejante do jovem.




Este texto foi inspirado na obra O Adolescente e o Outro, de Sonia Alberti.

 
 

Psicóloga Melina G. Gorjon (CRP 06/146718)

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